O que elas querem dizer?

10/jun/2008 · 12 conversas

Se eu disser que política é importante, o que você dirá?

Não, não precisa responder. Políticos e política, no Brasil, não têm um grande conceito. Aliás, nem conceito têm. Mas a política – não os políticos – é mesmo importante. Afinal, sem ela não existe democracia, não existe participação, não há meio de a sociedade influir e não há, sobretudo, como mudar dirigentes, impulsioná-los e fazer com que atendam ao que a maioria quer.

Se a política é importante – e, reafirmo, é – os partidos deveriam ser o meio de exercitá-la. Veja o caso dos Estados Unidos. Lá, as coisas ficam claras e sabemos que Barack Obama é candidato pelo Partido Democrata. E seu adversário, o John McCain, dos Republicanos. Os partidos, neste caso, têm a sua marca, são respeitados, seguidos e são eles que dão suporte aos candidatos, não o contrário.

Observe que são dois partidos dominantes nos Estados Unidos. Na Inglaterra são três. Na França, quatro. Na Alemanha, três. E no Brasil, quantos são? Duvido que alguém saiba o número, a não ser consultando os registros do Tribunal Superior Eleitoral. Ah, e antes que me contestem: em todos os países citados existem outros partidos, mas eles têm um número muito pequeno de votos.

Voltando à questão brasileira, vou dar a sigla de alguns partidos para que você diga o que querem dizer. Pronto? Então, lá vão: PSTU, PSOL, PR, PP, PRTB, PAN, PHS, PPS, PRP, PMN, PTB, PMDB, D25, PT, PSDB, PCdoB, PCB e PDT. Não, estes não são todos os partidos. Existem outros, vários outros, com o PCO, que podem ser considerados legendas sem expressão eleitoral.

E então, quer se arriscar? Faça um comentário e identifique os partidos. Se você os conhecer todos e souber seus nomes, considere-se uma das pessoas mais bem informadas do país. Se não os conhecer, não se preocupe. A maioria não é mesmo importante e, no Brasil, a política é centrada nas pessoas, nas lideranças, não nos partidos. E é essa característica, dizem os especialistas, que impedem que tenhamos um sistema partidário forte.

E para ver se você está ou não antenado com a política, proponho um outro desafio que é descobrir, apenas tentanto lembrar-se, de alguns líderes políticos que estejam ligados a um ou mais partidos listados. Se fizer este exercício vai descobrir que sabe o nome de alguns, os mais conhecidos. E os outros, que forma a maioria?

Por fim, uma última consideração: Lembre-se que fomos nós, os eleitores, que colocamos todos eles lá, na Câmara, no Senado, nas Assembléias, Câmaras de Vereadores e Governos. E só com a política é com o seu bom exercício é que podemos tirá-los de lá.

Gostou? Marque e Divulgue!:
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • blogmarks
  • email
  • LinkedIn
  • Live
  • NewsVine
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • TwitThis
  • Netvibes
  • co.mments
  • FriendFeed

Artigos Relacionados:

  1. O que eles querem (mesmo) dizer?
  2. Políticos, participação e representação
  3. Uma resposta clara
  4. A questão do voto nulo
  5. O espaço da política

{ 12 conversas }

Teca (1 comments.) 10/jun/2008 às 11:36 am

Desafio dificil, se o canalha não estiver na midia dando voz a alguma manobra espúria é impossivel saber ate porque mudam de partido desavergonhadamente.

Carla (314 comments.) 10/jun/2008 às 11:38 am

Lino, esses partidos mais novos, criados recentemente, confesso que não sei mesmo. O que seria esse D25, meu Deus?
Esse número surpreendente de partidos prova que quantidade nunca foi, com certeza, qualidade.
O pior de tudo é que os políticos do nosso país são eleitos por nós… acho que nos resta somente ficar atentos e não cometer os mesmos erros de antes.
Bjão.

Magui (133 comments.) 10/jun/2008 às 11:51 am

Não acho os EUA modelo para nada , especialmente na política onde o zé povinho não tem nenhum acesso pela carestia das campanhas, pela audência de oportunidades nos partidos e pela hegemonia de dois partidos apenas. O Brasil precisa de uma reforma política com urgência mas eles não ficam atrás.

Miguel (34 comments.) 10/jun/2008 às 1:48 pm

Lino, acho que está faltando a sigla de um partido, é a PQP para oinde eu gostaria de mandar tudo quanto é político brasileiro.

Fábio Max (166 comments.) 10/jun/2008 às 3:58 pm

Falemos o que quiser, mas os EUA são uma democracia e o Brasil um arremedo dela.

Nos EUA há CENTENAS de partidos. Não há restrição para que sejam criados e que disputem eleições. Mas os dois grandes se destacam porque têm militância e valores programáticos, coisa que não existe no Brasil, onde partidos sem afinidades ideológicas, como PT e PTB, se unem apenas para desfrutar dopoder.

Lulu on the sky (352 comments.) 10/jun/2008 às 6:48 pm

Olha Lino sempre falo que no Brasil deveria ter só 2 partidos: Esquerda e Direita. E deveriam se inspirar nesse modelo ai dos EUA, q os candidatos ralam pra conseguirem ser eleitos em prévias de partido pra depois disputar o cargo, é mais justo. Veja o Brasil com partidos minúsculos q não levam a lugar algum, vc pode reparar que eles sempre querem alguém conhecido pra poder entrar no poder, permitindo q com uma votação enorme consiga levar mais de uma pessoa do partido ao poder, veja o caso do Eneas(que Deus o tenha) por exemplo.
Big Beijos

Zeca (30 comments.) 10/jun/2008 às 8:40 pm

Lino,

concordo plenamente com você. Tanto a política quanto os políticos são importantíssimos e, enquanto não lhes dermos a devida importância, a política continuará sendo mal exercida por trambiqueiros, oportunistas e exploradores. É necessária uma urgente reforma política neste país. E mais necessária ainda, a recuperação da consciência política, duramente extirpada durante os anos da ditadura.
Eu não identifiquei o tal D25… isso é um partido?

Grande abraço.

Maria Augusta (188 comments.) 11/jun/2008 às 5:26 am

Lino, aqui na França tem vários partidos políticos, eles acham que isto é sinal de democracia, mas no momento das eleições tudo se polariza em torno dos dois grandes, um de direita e outro de esquerda. O povo é muito mais politizado que no Brasil, na televisão os programas onde os políticos aparecem dão uma audiência enorme, mas o conceito que eles tem dos políticos também é como o nosso, acham que são todos aproveitadores. E como “a voz do povo é a voz de Deus…”
Abraços.

Nanda (75 comments.) 11/jun/2008 às 9:20 am

Lino, faz tempo desde a última vez que um candidato meu foi eleito; Estou quase sempre contra a maré e quando li seu post, lembrei de uma brincadeira que fiz no IP; comentando que já que vão recriar a CPMF com novo nome (e permanente); poderiam também reciclar nomes de certos partidos e até do país. Minhas sugestões foram: PAC – Partido Assistencialista e Corrupto – (Já aproveitava a sigla e ia em frente…rs); PIMBA – Partido dos Impostos Banais; PRG – Partido da Roubalheira Generalizada; PENS! – Partido do ‘Eu não sabia’!, PDN – Partido Descarado Nacional. O Brasil também poderia mudar seu nome para uma sigla: PIADA – País dos Impostos Absurdos e Desigualdade Associada…

Cidão (226 comments.) 11/jun/2008 às 3:37 pm

No Brasil, há muuita confusão entre essas siglas, não há fidelidade partidária nem ideologias. São apenas arranjos e acertos pífios que acabam com a nossa política. Eu nunca votos em pessoas, e sim em partido, voto em idéias, mas as pessoas que deveriam representar essas idéias nem sempre as seguem como deviam. O papel aceita tudo, não é mesmo?

Chuvinha (146 comments.) 11/jun/2008 às 8:14 pm

Reconheço que nossa omissão e descaso é que elege certos políticos e que coloca certos partidos em evidência, mas realmente não dá para se interessar…rs. A mim parece perda de tempo.

SAM (32 comments.) 17/jun/2008 às 8:03 am

A questão, meu caro, é decidirmos o que queremos. Não sei se já o tinha comentado contigo, mas o que me parece interessante é que países aonde o sistema é de uma forma querem o contrário e aqueles que têm o contrário querem ser como os outros países: claramente algo está errado com o sistema político!

Esperarmos que as pessoas se diluam num partido é errado e impossível. Algumas figuras do Partido Democrata confirmam que o partido vai além da massa, por isso é impossível acreditar nisso. Errado é, pois ao invés de eu ter uma Câmara (seja ela qual for e a que nível estiver) se um partido tem X representantes e todos agem da mesma forma, então mais vale ter apenas o líder do partido a ter X % de voto. O que justifica o salário de tanta gente que se dilui dentro de uma coletividade partidária?

O sistema personalizado aproxima o cidadão do voto, mas, aproxima a pessoa em causa a possíveis incumprimentos dos princípios básicos da moral e da legislação. Dá-lhe uma imagem de super-homem potente para fazer o que lhe apraz, como o caso de Hitler e Mussolini.

Ambos os sistemas são incompletos e imperfeitos. O sistema alemão tenta ser um misto dos dois sistemas e só leva a ainda maior confusão entre os políticos, os mídia e os próprios eleitores…

Já sobre ter dois ou dois mil partidos. Há quem possa defender que ter dois traz a força e uma visão mais articulada e há quem possa dizer que tem maior oportunidade de escolha quando tem muitos partidos.

Claramente, para mim, não é a questão partidária que deve ser revista, mas todo o sistema reavaliado.

As conversas deste artigo estão encerradas.

Artigo Anterior:

Próximo Artigo: