Do outro lado da noite

27/set/2007 · 10 conversas

pcosta1.jpgNem sempre morei à beira mar. Houve um tempo em que a praia ficava longe, bem longe. E só era visitada, quando era, uma vez por ano. Menino do interior, o sonho de ouvir a onda quebrar era isso mesmo, um sonho. Depois, muito mais tarde, ele se realizou. Mas, agora, o que importa é o mar e o que ele nos oferece. E uma das coisas são belas histórias, quase sempre contadas por quem não estava próximo dele.

É este o caso de alguém que, depois, se tornou muito próxima. Um dia, passando à beira praia no início do anoitecer e olhando mais ao longo, via-se os navios que aguardavam vez no porto que começavam a acender suas luzes. Vendo a cena, que se repete diariamente, não é fácil imaginar o que alguém de fora da praia poderia pensar, principalmente se chegase à noite e, do outro lado, visse a iluminação.

- Criança, que vinha à praia uma vez ao ano, ficava intrigada com as luzes que só via à noite, da praia. E ficava pensando o que poderia ser. Na minha imaginação, eram cidades. Mas muito estranho porque, de dia, elas sumiam. E à noite, voltavam, estavam lá, iluminadas, como as pequenas cidades do interior.

- Mas você não via os navios durante o dia? Não imaginava que eram eles que estavam iluminados à noite?

- Não. Nunca pensei isso. Para mim – e para os meus irmãos – o que víamos eram cidades, que ficavam distantes, do outro lado da noite. E que só víamos por estarem iluminadas. Quando o dia chegava, as luzes se apagavam e as cidades sumiam.

Na imaginação, a cidade estava lá e só se relevava à noite. Mais tarde, já entendendo o que ocorria, a mística da cidade do outro lado da noite foi embora. Mas ficou a imagem, guardada por uma criança que não estava habituada ao mar. O mesmo tipo de criança que molha a mão e depois a coloca na boca para ver se a água é realmente salgada.

Quem já nasceu à beira mar, não sabe o encantamento que a praia exerce sobre adultos e crianças. E tenho certeza que cada um de nós, que viemos de locais distantes do mar, temos histórias para contar, sobretudo com o nosso primeiro contato com este mundão de água.

A história da cidade do outro lado da noite é apenas uma delas. E você, tem alguma história com o mar e com a praia? Como foi sua primeira experiência na água salgada?

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{ 10 conversas }

Carla (314 comments.) 27/set/2007 às 12:10 pm

Minha relação com o mar, na infância, era só no período de férias…
Mas, a cada ida ao Rio, principalmente, me deliciava ver a ondas e entender o movimento que elas faziam…coisas de criança, mesmo.
Agora, já adulta, entender já não faz nenhum sentido; o que vale mesmo a pena é apenas sentir a água tocando meu corpo e levando consigo, todas as minhas inquietações.
Bjo.

Nanda (75 comments.) 27/set/2007 às 1:30 pm

Eu não lembro exatamente a primeira vez que vi o mar, mas tempos depois, quase me afoguei. Mas adoro o mar – me faz muito bem observar as ondas. Beijos.

Jens (162 comments.) 27/set/2007 às 8:39 pm

Ô Lino, que bela crônica!
Nos brinde com mais textos assim.
Clap! Clap! Clap!

Marco (61 comments.) 27/set/2007 às 9:36 pm

Ah, amigo Lino… São muitas histórias…
Lembro de uma vez, era pequeno, eu fui na ilha do Governador à noite. Minha mãe deixou que entrássemos na água, desde que não fôssemos para o fundo. Eu mergulhei naquelas águas quentes, e vi um brilho de prata no fundo. Peguei. era uma concha. ela brilhava sob a luz da lua. Era uma coisa linda de se ver. Quis levá-la para casa mas minha mãe não deixou. ela disse que o que era do mar, a ele pertencia. E a minha imaginação fértil já ficou imaginando histórias de monstros marinhos que iam à casa da gente recuperar seus tesouros…
A sua crônica é muito bonita. Estas lembranças nos resgatam tempos de antigas ternuras, não é verdade?
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Cejunior (92 comments.) 27/set/2007 às 11:51 pm

Bela história!
E a propósito, eu estou fazendo o caminho inverso: nasci e morei em Copacabana a vida toda… e agora estou aqui, a 1.000 metros de altura, em Nova Friburgo, cercado de montanhas prá tudo que é lado!
E não troco por nada!!!!
Um abração.

Flavia Sereia (173 comments.) 28/set/2007 às 1:14 am

Eu também não nasci em cidade praiana, e como vc so ia muito raramente. O que mais me lembro é que aquela magia de ver o mar, de não acreditar que estava na praia e vendo tudo aquilo, vivendo tantas emoções.
Ficava o dia todo na agua, que no final do dia, na hora de dormir, ainda sentia as ondas batendo nas pernas hehehe
as coisas ruins que lembro são as queimaduras provocadas por passar o dia todo na praia, na época não existia filtro solar hehehe

bjs

Fábia (8 comments.) 28/set/2007 às 9:16 am

eu não nasci em praia, mas moro em Curitiba que fica a apenas 100 km do litoral. então pra mim desde criança sempre foi comum ir à praia, ver o mar. só depois de adulta é q me dei conta da sorte que tenho

marilia (88 comments.) 28/set/2007 às 11:25 pm

Lino, não me lembro d primeira vez. a familia do meu pai foi toda de são João Del rey pra o rio, então, acho que sempre fui a praia.
mas nem um momento ela deixa de me fascinar, e realemte sinto saudaes do cheiro do mar, da brisa e do barulho das ondas.
Que belo texto!
BjÃO

Maria Augusta (188 comments.) 29/set/2007 às 3:29 am

Nasci e cresci em São Paulo, não me lembro da primeira vez que desci a serra e vi o mar. Mas como não sei nadar, gosto mesmo é do barulho das ondas e de contemplar aquela imensidão azul.
Um abraço.

Renata (97 comments.) 30/set/2007 às 10:49 pm

Lino, tem um carinho pra vc lá no DD…

bjo e ótima semana!

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