TRABALHO, STRESS E FALTA DE TEMPO

Você está trabalhando muito? Esta, seguramente, é uma pergunta desnecessária, pois quase todos a responderíamos afirmativamente. Os tempos modernos nos ligaram totalmente, transformando o trabalho em quase tudo, já que computador, telefone celular e outros meios nos mantem permanentemente ligados nele. O que fazer para mudar? Para diminuir o stress? Diminuir o ritmo e simplificar a vida. Mas isso não é fácil, sobretudo quando o consumo exerce um papel preponderante na vida de todo mundo. É ele, segundo Manuel Castells, que nos torna cidadãos. A cidadania significa consumir e para fazê-lo temos de trabalhar mais, correr mais e nos stressar mais. O que fazer, então? Sinceramente, não sei a resposta. Será que você a sabe?

Você está trabalhando muito?

Hoje em dia a pergunta é meio que desnecessária. Todos nós, acredito, estamos trabalhando um pouco a mais do que deveríamos. E não há, em curto prazo, perspectiva de isso mudar. Diria, até, que a perspectiva é que o trabalho aumente, ampliando nossa carga de stress, comprimindo o tempo e deixando-nos ainda mais com a sensação de que ele nos falta e que está encolhendo, passando de forma mais rápida.

O que fazer? É o que tenho me perguntado. E confesso não ter encontrado uma resposta clara. Uma coisa sei: a forma de trabalhar menos é simplificar a vida, torná-la menos exigente, abrir mão de algumas coisas. Mas será que queremos fazer isso? A resposta não é simples. Ao longo da vida – e de muito trabalho – conquistamos algumas coisas e estabelecemos um modo de vida, acostumando-nos a alguns confortos e é difícil abrir mão deles.

Há, de outro lado, um constante apelo ao consumo. Sem dele participar, como destaca o estudioso Manuel Castells, acabamos por nos tornar não cidadãos. Ele indica que um dos componentes da cidadania no mundo de hoje é o consumo e quem está fora dele não se vê completo. Só que para consumir é preciso rendimentos e eles decorrem do trabalho. Formamos, então, um círculo vicioso: trabalhamos para comprar, para manter o nível de vida e, para fazer isso, precisamos trabalhar mais.

Pessoalmente, posso dizer, estou insatisfeito com a minha carga de trabalho. Mas quem está satisfeito? Eu, pelo menos, faço o que gosto. E gosto do que faço. Pode parecer que não, mas isso faz uma grande diferença em relação ao stress, embora em nada contribua para que tenhamos a sensação de ter mais tempo. Se diminui o stress – e acredito que diminua – ocupa o tempo e não tira a sensação de que está passando mais rápido, encolhendo.

Estabelecemos, olhando-se em perspectiva, uma sociedade que, baseada no consumo, nos leva a sempre querer mais. O lado material há muito tem prevalência sobre o não material. Ser é ter. E para se ter as coisas que desejamos o trabalho é fundamental. Aliás, sempre foi fundamental, mas em algum tempo ele se destinava a preencher menos exigências, o que nos deixava tempo para outras atividades.

Ao lado de necessidades crescentes, no mais das vezes, criadas pelo consumo, há outro aspecto que contribui para a sensação de trabalho permanente: a constante ligação a que estamos sujeitos. O computador, o telefone celular e outras ferramentas já não nos deixam ficar desligados. Quem, hoje, é capaz de desligar o celular? De não olhar para o computador? De não monitorar o seu email? E tudo isso nos liga ao trabalho, não nos deixando afastar dele.

O fato é: estamos trabalhando mais, estamos mais ligados, temos a sensação de que o tempo está encolhendo, passando muito rápido. E tudo isso gera stress. Após essa constatação fica, de novo, a pergunta: O que fazer? Eu, sinceramente, não sei a resposta. Será que você sabe?

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