QUANTO CUSTA O SEU CORPO?

20/mai/2009

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Há uns dias li, não me lembro se na internet ou se nos jornais, que o Governo Federal havia baixado uma regulamentação estabelecendo o valor das várias partes do corpo humano para o pagamento de indenizações de seguro, no caso, acho, o obrigatório de veículos, que todos nós que temos veículos somos obrigados a pagar. O que me chamou a atenção foram os valores.

Veja-se o caso da perda da mão. Quanto isso acontecer decorrente de um acidente de carro o seguro irá pagar ao segurado ou ao terceiro atingido algo em torno de oito mil reais. Imagine, então, que você dependa da mão para realizar suas tarefas, como é que ficaria no caso de perdê-la? É o meu caso. Como jornalista, dependo das mãos para escrever. Sem uma delas a vida ficaria muito mais difícil.

Chamo para o valor de uma das partes do corpo porque as outras são cotadas por menor valor. E fique me perguntando: quando deve custar um corpo? Acho que ele não tem preço, embora admita que, no caso dos seguros, deve haver um parâmetro. Mas acho, também, que neste caso o Governo não está preocupado com o segurado e, sim, com as seguradoras, que já ganham – pelas informações que tenho – um belo dinheiro com este tipo de seguro.

A questão é, em primeiro lugar, o fato de sermos obrigados a comprar um seguro, que deveria ser opcional, contrado diretamente com uma seguradora, dentro das condições de mercado. E, segundo, que também os valores relativos à indenização deveriam ser negociados. Se posso pagar um pouco mais, tenho uma indenização maior. Mas não, o Governo torna a compra obrigatória e fixa valores tetos para as indenizações. Será que o segurado foi ouvido? Duvido muito.

Não sou daqueles que acham que o Estado não deve interferir na vida do cidadão. Deve, pois tem um papel regulador e, com ele, pode agir no sentido de beneficiar quem precisa de um benefício, como no caso da inclusão social. Acho, no entanto, que a questão dos seguros não está entre as medidas que o Governo deve regular. Que institua o seguro, que ele seja obrigatório, mas que o dono do veículo tenha liberdade de escolher.

Voltando à questão do preço, olhando-se apenas o valor monetário, ele é irrisório, mesmo se somarmos todas as partes do corpo, no caso do seguro obrigatório de veículo. Eles – o seguro e o Governo – não levam em conta que, dependendo da atividade, uma parte do corpo pode ser muito mais valorizada. É o caso das mãos, e nem falo dos jornalistas, mas dos médicos, dos cirurgiões.

Ah, mas tem um aspecto interessante: não vi, até agora, ninguém comentar o assunto. Parece que ninguém se importa. E você, o que acha?

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{ 10 conversas }

Elza do Blog do Beagle (12 comments.) maio 20, 2009 às 2:09 pm

Considerando-se que até uma unha tem valor para os seguros … acho irrisórios os importes cotados. A tabela do INSS também traz valores ínfimos. Acho certo cotar cada parte do organismo, todavia. Dependendo da forma como se perde uma parte do organismo cabe ação de indenização contra o causador do estrago e aí o valor pode ser maior, a forma de cálculo é diferente e existe, até, indenização por tempos muito longos. Isso é outra história que fica para outra vez! Elza

Jens (98 comments.) maio 20, 2009 às 2:41 pm

Oi Lino.
Desculpe a gaiatice, camarada, mas eu não resisto. Se uma mão vale oito paus, qual será o valor do hã, hum, er… (entendeu, né?). Ó dúvida cruel…
Um abraço.

Último post de Jens: O alvorecer do macho

Carla (116 comments.) maio 20, 2009 às 4:24 pm

Só faltava essa, viu? Pra mim, meu corpo é priceless!
E essa semana eu vi que teve um cara de decepou a própria mão pra recebr o seguro…
Bjo.

Último post de Carla: Eu, hein?

Maria Augusta (26 comments.) maio 20, 2009 às 5:51 pm

Eu acho que cada parte de nosso corpo não tem preço…mas entendo que no caso de uma perda num acidente, vamos descobrir quanto ele vale. Acho muito difícil fazer esta cotação, principalmente que para cada pessoa cada parte tem um valor diferente.
Um grande abraço.

Último post de Maria Augusta: O Charme da Dama de Ferro

Lulu on the sky (352 comments.) maio 20, 2009 às 9:33 pm

Esse mundo está perdido. Como se 8 mil reais fossem suficientes para vc sobreviver com apenas uma mão.
Big Beijos

DO (389 comments.) maio 21, 2009 às 11:12 am

Desculpe-me,LINO,mas neste país,a gente tem que dar até graças a DEUS por receber o mínimo que seja. Se é que até as oito pilas vão pro bolso de quem perdeu a mão. Capaz até de dizerem que o cara já era maneta.
Desculpe,mas é a verdade nua e crua.
Abraços!!

Fábio Max (169 comments.) maio 21, 2009 às 8:42 pm

Quanta bobagem meu Deus do céu!!!

Qualquer advogadinho recém formado de porta de cadeia sabe que a indenização por uma parte do corpo depende muito dos talentos naturais da pessoa sinistrada, e do que aquilo representa em sua vida profissional.

Um dedo, para mim, pode não valer grande coisa, mas é inestimável para um pianista.

Uma perna do Ronaldo vale infinitamente mais que uma perna minha.

etc…

Último post de Fábio Max: A CPI, O PRÉ-SAL E A REFORMA POLÍTICA

Cidão (226 comments.) maio 24, 2009 às 6:00 pm

Lino, se eu depender do meu corpo para abocanhar uma graninha, estou ferrado!
Acredito que uma indenização depende da gravidade do acidente e do prejuízo que a pessoa terá no restante da sua vida. Não dá para tabelar assim.

Último post de Cidão: Parece que Darwin estava certo… Chupem Criacionistas!

grace olsson (39 comments.) maio 26, 2009 às 12:11 pm

OH LINO, ESTIUPULAR PRECO DEPENDE DA IMPROTANCIA DE CADA ÓRGAO PARA A PESSOA ATINGIDA. SE BEM QUE, PARA MIM, ATÉ O CABELO QUE COMECOU A CAIR TEM IMPROTANCIA.BJS E DIAS FELZIES

Último post de grace olsson: Jeito feminino de ser…

Adao Braga (58 comments.) maio 31, 2009 às 9:27 pm

Lino, e os advogados, e escritórios especializados em pegar para si os seguros destes que não procuram o seguro? É moral? É ético? Claro que não, mas, é a brecha!

Último post de Adao Braga: A saúde é direito de todos e dever do Estado

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