Para que serve um político?

09/fev/2009 · 15 conversas

Pessoalmente, considero a política essencial. E é por assim pensar que o blog tem uma categoria chamada Política. Nela, ao longo da existência dele, tenho falado sobre vários assuntos ligados ao tema, sejam eles locais, nacionais ou internacionais. Considero que a discussão em torno da política importante, já que, em um regime democrático, se ela não for bem exercida, não teremos, mesmo, uma boa democracia. Neste sentido, os políticos refletem o que querem o eleitor. Afinal, se estão onde estão é porque foram eleitos e para o serem um bom número de cidadãos votou neles.

A democracia representativa pode não ser um bom regime, mas certamente não existe um melhor do que ele. Pelo menos até agora ninguém descobriu um. O que deveríamos fazer é, no caso das eleições, escolher representantes que estejam à altura de suas responsabilidades. Mas será isso possível? No caso do Brasil é um pouco difícil, afinal temos de um lado o político que promete o que sabe que não vai cumprir e, do outro, o eleitor que na hora de votar olha do seu lado pessoal, sancionando ações que, em outras circunstâncias, seriam condenadas. Veja-se a propósito disso um livro fundamental que é A Cabeça do Brasileiro.

Neste aspecto, há uma faceta a considerar, que é como o eleitor, que vota e escolhe, vê o político. Daí a pergunta: Para que serve um político? O que você ou eu diríamos certamente será muito diferente da maioria dos eleitores. Mas, aqui pra nós, você já recorreu a algum deles para conseguir alguma coisa? Um emprego? Ser atendido em um órgão público? Usou a influência política em algum sentido? Aposto que, até de forma meio envergonhada, muitos dirão que sim. E se o fizerem, por menor que seja este número, vale a pergunta.

O sentido da questão é olhar a atuação do político e o seu papel do ponto de vista do eleitor. Foi o que fez, neste último final de semana, o jornal A Tribuna, de Vitória. A publicação percorreu gabinetes de Deputados e Vereadores levantando os tipos de pedidos que cada um recebe. Achei a matéria interessante exatamente por expor um outro lado da moeda, que é a utilidade que o eleitor vê em quem vota e, como mostra a matéria, ele é basicamente utilitário, querendo benefício direto, seja para ele, seja para alguém próximo.

Tem gente que pede ajuda para a lua de mel. Outros, para pagar contas. Uns terceiros, querem emprego para um filho ou um parente. A repetição é uma constante e gira, sempre, em torno de benefícios pessoais ou para familiares. Nenhum dos casos levantados pelo jornal mostra pedidos para uma comunidade, uma ação coletiva. Não é, acredito, que não exista. Sei de casos de o coletivo se sobrepor ao individual, mas este é a constante dos pedidos feitos aos parlamentares, seja em nível estadual ou municipal. Acredito, também, que é o mesmo em relação aos parlamentares federais, sendo que, no caso deles, como estão em Brasília, é mais difícil de serem acessados.

Temos o costume de reclamar dos políticos. Acho que, em muitos casos, a reclamação é válida e que eles poderiam atuar de forma diferente. A grande pergunta, no entanto, é: será que se fossem diferentes se elegeriam? Uma pequena parcela, que recebe o chamado voto qualificado, sim. Mas a maioria, não. E é nesta maioria que está o espelho do eleitor. Quando vota, ele o faz não pensando no benefício público, mas em como tirar vantagem do eleito. Será que ele vai lhe ajudar? Pode arranjar um emprego para um filho? Tem como influenciar junto a um órgão público? Pode, enfim, quebrar um galho, facilitando sua vida? E muitos chegam mesmo a pedir dinheiro, seja para pagar dívida, seja para patrocinar um evento ou custear, como o jornal apontou, uma lua de mel.

Entendo que o político, como representante do povo, tem de olhar o coletivo, não o individual. Ele é eleito para acompanhar o que o Estado está fazendo, fiscalizar, criticar e contribuir para a melhora da administração e gestão públicas. Nas suas ações deve, sempre, olhar o interesse da maioria, apoiando as medidas que irão beneficiar este maioria. Pode, sim, olhar com cuidado para a comunidade ou áreas que o elegeu, tomando ações que as beneficiem, mas sempre de modo coletivo. Acho que todos concordam que, se agissem assim, os políticos não seriam tão criticados.

O que acontece, no entanto, é que o eleitor não quer isso. Ele não se importa com o todo, embore reclame do mau atendimento na saúde, da falta de segurança, da inexistência de escolas, da precariedade dos transportes. E diz querer que tais deficiências sejam supridas. E deve mesmo querer. Mas, antes do todo, vem o individual. Quando vai ao político, quando decide votar em um deles, quando aceita apoiar um candidato, pensa primeiro nele próprio e no proveito que pode tirar da eleição. A relação, como disse, é utilitária: eu voto, você me beneficia. E este tipo de relacionamento ficou mais do que claro na matéria publicada por A Tribuna.

E então, para que servem um político? Para a maioria dos eleitores, que é que os elege, o deputado e o vereador existem, primordialmente, para atendê-los e aos seus requisitos pessoais, familiares e aos seus interesses. E por pensaram assim é que elegem que está ocupando as vagas de Deputado e Vereador. A mudança, como frisa muito bem Alberto Carlos Almeida no livro acima citado, isso só vai mudar no dia em que os eleitores mudarem. E para que isso ocorra educação é fundamental.

O que não vai mudar, com um povo bem educado e informado ou não, é o fato de o eleito ser o espelho do eleitor. E como um espelho reflete uma imagem, no dia em que o eleitor mudar, o político também mudará. O que temos de fazer, então, para obter uma resposta satisfatória para a pergunta não é só criticar os políticos, mas agir no sentido de mudar o eleitor. Esta é uma ação prioritária, mas de médio prazo.

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{ 15 conversas }

Carla (115 comments.) 09/fev/2009 às 10:57 am

Lino, acredito que a política, em si, é fundamental. Mas, vamos combinar que com os exemplos que temos em nosso país, ela fica, cada dia mais, difícil de ser vista como uma coisa positiva.
São os maus políticos que colocam a nossa política num caminho sem volta.
Bjo e otima semana.

Último post de Carla: Pra quê arquiteto – Parte III

DO (389 comments.) 09/fev/2009 às 2:35 pm

Por etsas e outras é que a educação esta como está,LINO. Não interessa a eles.

Grande abraço!!

Jens (83 comments.) 09/fev/2009 às 4:53 pm

A questão, Lino, é a miséria aliada a falta de educação. No dia em que extirparmos ambas do tecido social, as coisas vão melhorar. Só cidadãos com o um sustento mínimo garantido tem condições de investir na educação e escolher seus políticos pensando no todo. Cabe observar que os ricos também usam os políticos para atender seus interesses pessoais e familiares, inclusive com muito mas eficiência do que os pobres. Daniel Dantas está aí para provar.

Último post de Jens: Notícias do paraíso

leo seabra (9 comments.) 09/fev/2009 às 6:42 pm

Temos políticos ruins pq votamos mal? ou votamos mal pq os políticos todos são ruins? É dificil saber, mas eu acredito que o que esta no congresso, nas camaras e prefeituras é a soma de tudo que somos, porque condenamos certas atitudes publicamente, mas em nosso íntimo somos favoraveis ao famoso ‘jeitinho’ pra tudo.

Eu ando meio desiludido de algumas coisas, mas entendo que a mudança se faz a passos lentos. E mantenho um pouco de otimismo, quem sabe as proximas gerações sejam mais conscientes. por outro lado, enquanto o povo não tiver educação e cond~ições de uma vida digna será refém da bandidagem aproveitadora.

Último post de leo seabra: Café da manhã de campeão.

Ro Costa (16 comments.) 09/fev/2009 às 6:51 pm

Lino na semana passada assisti ‘Linha de passe’ é desolador e realista.
Forte abraço.

Cecilia (7 comments.) 09/fev/2009 às 10:12 pm

Acredito que a política de uma certa forma é necessária, mas os político brasileiros na sua maioria são desnecessários…
Sem falar que a mairia da população escolhe mal seus candidatos.

Tenha uma ótima semana!
Beijos

Último post de Cecilia: Esse Tal

Beti (9 comments.) 10/fev/2009 às 12:05 am

Lino,
este é um tema, que sinceramente, me sinto receosa para comentar. Houve um tempo em que a política pontilhava todos os meus momentos. Era fervorosa, ao defender ou condenar este ou aquele político. Hoje procuro me afastar deste assunto. Um erro? Com certeza! Porém a decepção, fez-se marcante no meu presente. Talvez isto venha a mudar, mas por enquanto, sou uma alienada em relação a política, por opção própia.

Beijos

Último post de Beti:

Adao Braga (58 comments.) 10/fev/2009 às 2:04 am

Fazendo uma relação tosca, tal como, se diz:

- Não deem dinheiro para crianças que pedem nos farois;

Deveriam dizer:

- Não deem ajuda aos eleitores que pedem para si;

e também:

- Não vote em quem faz politica assim: É dando que se recebe!

Último post de Adao Braga: Lobisomem

teresa (55 comments.) 10/fev/2009 às 1:51 pm

o problema, lino, não é a política, são os políticos. cadê os estadistas, os visionários???

Fábio Max (166 comments.) 10/fev/2009 às 1:57 pm

O estado de coisas é esse mesmo que você citou. O povão vota por interesse pessoal e dane-se o todo social.

O problema é que políticos deveriam entender sua função pública e, no Brasil, não entendem, aliás, se locupletam do povo individualista para ter preocupação exclusivamente pessoal.

Último post de Fábio Max: ACINTOSA MÃO NA CABEÇA

Cidão (226 comments.) 10/fev/2009 às 6:16 pm

Caro Lino, a política é necessária, o problema é quem está nela. Vivemos num país onde as leis não funcionam, a impunidade parece ser a regra e o levar vantagem é prioridade, mas isso que escrevo é chover no molhado. Sinceramente não vejo solução a curto prazo.

Último post de Cidão: 10 dicas para me conquistar por inteiro

Marcelo (138 comments.) 11/fev/2009 às 6:30 pm

Não eu nunca recorri a um politico para algo….mas no bairro onde moro ´´e clara a particvipação do voto de cabresto…muitas pessoas reformam suas casas durante o periodo de eleições e conseguem emprego no pós – eleições….já recebi várias cantadas de favores nunca as aceitei…recentemente um cliente da loja em que eu trabalho enquanto eu o atendia atualizando dados ele propos emprego e disse que poderia conseguir faculdade paga se eu me filiasse ao partido e conseguisse mais alguns votos…eu não respondi nada…o cara ficou todo sem graç!

acho isso horrivel….se dependeir disso voto por algum beneficio…morro pobre!

abs

Francy e Carlos (64 comments.) 11/fev/2009 às 9:13 pm

Sabes, que até hoje eu não entendi para o que eles servem??? e há deles que até hoje não se fizeram entender e não disseram a que vieram… estamos á espera de algo, só não sei até quando. De um certo tempo para cá, sinto-me bastante descrentes de tudo e todos. Deve ser mal da idade…
bs,

Último post de Francy e Carlos: As 100 melhores Leis de Murphy

Laura (87 comments.) 07/mar/2009 às 5:54 pm

Lino, a gente que já fez marola nesta internet,
que tal esta semana, que se comemora o Dia Internacional da Mulher,
dia 8 de Março,
se todos fizéssemos uma referênca em apoio à menina- mãe,
que acaba de abortar e sofrer ataque da Igreja?
OK. a excomungada foi a mãe, os médicos que a socorreram,
ela é ‘de menor’ como disse o arcebispo.
Acho que ela precisa saber que nós a apoiamos,
se a Igreja excomunga, nós protegemos.
Abraços,
Laura
http://lauravive.blogspot.com/2009/03/dia-internacional-da-mulher.html

ou na minha página no Portal Luis Nassif:

http://blogln.ning.com/profile/LauraDiz

Último post de Laura: Dia Internacional da Mulher

juliana de sousa 04/jun/2009 às 4:57 pm

Eu tenho uma dúvida,o que é jornal falado.beijos

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