O JEITINHO QUE RESOLVE

Detesto o jeitinho. Acho que é uma das coisas mais detestáveis no Brasil, mas eu ou você, gostando ou não, não conseguimos vencê-lo e, às vezes, como acaba de me acontecer, temos de nos valer dele para resolver problemas simples, que poderiam ser resolvidos de maneira normal, sem se recorrer a um amigo, usar influência, brigar, enfim, dar um jeitinho e, com isso, ter o caso resolvido.

Há cerca de um mês resolvi trocar os serviços de uma concessionária pública. Achei que a nova oferta que fazia era boa e poderia me atender, concentrando-o serviços dispersos em um só lugar. E foi então que a via crucis começou. Disse a mais de uma atendente – e foram várias, várias mesmos – que a empresa parecia funcionar na filosofia de Jack, O Estripador: Faz tudo por partes. E foi de parte em parte que as coisas não funcionaram, chegando a um impasse e deixando-me, por exemplo, com um telefone mudo por uma semana.

O pior de tudo, nestes casos, são os call centers. Quem o atende do outro lado da linha segue um roteiro. E para eles o sistema é deus. Se está no sistema, existe. Se não está, não existe. E não há como discutir, argumentar. O que se ouve é “Entendo”. E para por aí. Resolver, não. Marca-se, então, uma nova visita técnica, confirmada por email, mas que não ocorre. E quando se retorna a ligação ouve-se que a visita seria no dia seguinte. No final, vem a declaração definitiva: é o que está no sistema.

Não sei quantas vezes liguei tentando resolver a questão. Parei de contar. Só que precisava achar um caminho e, confesso, recorri ao jeitinho. Liguei para uma amiga, pedi o telefone de outra pessoa, que gerencia a empresa em Vitória e disse que queria falar com ele. Ela me perguntou o que era e prometeu-se que falaria com esta outra pessoa e que a situação se resolveria. O que aconteceu? Menos de 10 minutos depois do telefonema alguém da empresa ligou. E foram duas vezes em cinco minutos.

E parece que deixaram de agir como Jack, O Estripador, anunciando que os serviços serão feitos de uma só vez. O que eu conclui é que, mesmo não querendo, por cultura ou por ineficiência de quem atende, você às vezes acaba recorrendo àquilo com o que não concorda e não deseja usar. Não tenho orgulho disso, mas posso afirmar que o jeitinho funciona. Foi o que constatei. E fiquei com a certeza que, infelizmente, em alguns casos só se resolver as questões de forma rápida – o que deveria ser um padrão – recorrendo a ele.

E você, já teve ocasião em que teve de usar o jeitinho? O que acha desta tipo de comportamento? Como afirmei no início, detesto-o. Mas como estou envolvido em uma cultura que o valoriza, às vezes  acabo usando-o.

Compartilhe:

Twitter
Facebook
LinkedIn
Pinterest

6 Responses

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Trump e o retorno ao passado: a volta da história

TRUMP E O RETORNO AO PASSADO

As ações do presidente Donald Trump configuram uma tentativa de volta ao passado, virando o rumo da história. Mas o que a própria história mostra é que o novo sempre supera o velho. Ao manter-se no velho, quem nele fica, olha para trás e perde o futuro.

Leia mais »
O Grande Irmão e o capitalismo de vigilância

A VIGILÂNCIA DIGITAL COMO ROTINA

Hoje, a realidade supera a ficção e o Grande Irmão, do romance 1984, de Orson Wells, foi superado pelo capitalismo de vigilância, que lucra com os dados de quem via, em todos os momentos da vida, através dos aplicativos e da internet.

Leia mais »
O brote, o pão pomerano dos capixabas, servido e à espera de ser consumido.

BROTE, O PÃO POMERANO DOS CAPIXABAS

O brote, o pão que os pomeranos criaram e que se tornou ícone cultura do Espírito Santo, é uma receita simples e fácil de fazer, resulta em um ótimo pão para o café da manhã, o lanche da tarde ou, mesmo, para um sanduíche à noite.

Leia mais »
Um pão básico e rápido feito com fermento natural que ficou ótimo

PÃO BÁSICO RÁPIDO COM FERMENTO NATURAL

O pão de fermentação natural pode ser feito de modo mais rápido e, mesmo assim, ser gostoso e saudável. É o caso desta receita, que acabei de testar. O meio para encurtar o tempo é deixar a massa fermentando durante a noite, estando pronta para ser moldada, fazer a segunda fermentação e ser assada logo na manhã do dia seguinte.

Leia mais »