O espaço da política

23/ago/2006

Política, no Brasil, acabou virando palavrão.

As pessoas confundem ação de políticos com política, mesmo que essa seja dita com p minúsculo.

A verdade é que a ação de políticos, na maioria das vezes, não se prende à política, que é mais ampla e tem objetivos maiores, coletivos.

O que eles fazem, na verdade, é a defesa de interesses, que fazem parte de uma esfera política, mas não são a própria política.

Assim, quando falamos de política não estamos nos referindo aos políticos e à sua ação, mas a algo maior, que deveria mobilizar os eleitores e fazer com que, votando, que é um ato político, melhorassem a esfera pública, onde a política é exercida.

Um dos aspectos essencias da política, como já ressaltou Antonio Gramsci, é a participação. E você participa para conservar o status ou mudá-lo. Política, portanto, se faz com envolvimento, tenha ele o sentido que tiver.

Aqui, podemos adotar a perspectiva pessimista, de que nada adianta, de que nada vai mudar, aliás, como vem fazendo o professor Francisco de Oliveira, um dos maiores críticos do atual Governo – e também um dos fundadores do PT.

Ou, então, adotando mais uma vez o exemplo de Gramsci, podemos adotar uma perspectiva de mudança, de que o nosso voto pode fazer a diferença, que é preciso evangelizar, buscar novos nomes, novos candidatos, apostar em quem está comprometido com causas, não com nomes.

A passividade, em política, só contribui para a manutenção do atual status. Se não fizermos nada, nada vai mudar. O mínimo que fizermos, já significará uma mudança. E, neste caso, o voto é uma excelente arma.

O que temos de nos convencer é que somos, sim, responsáveis pelo que o país passa. Fomos nós que votamos, que elegemos, que não cobramos e que lamentamos ver as coisas como estão, desanimando de mudá-las.

Se enquanto intelectuais não assumirmos uma postura de mudança, o que já fizemos em outros momentos do país, estaremos dando uma contribuição, primeiro, para o imobilismo.

E, depois, estreitando o espaço da política. E, no caso brasileiro, o essencial é que este espaço seja alargado.

Se será ou não, depende de nossa ação.

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