Crônica de uma morte anunciada

02/mai/2006

O título, tomado de empréstimo de Gabriel Garcia Marquez, é perfeito para classificar o episódio envolvendo a nacionalização dos recursos naturais bolivianos.

O presidente Evo Morales nunca escondeu – pelo contrário, alardeou – que esta era uma das medidas centrais do seu programa de governo.

Se sua campanha foi feita sobre esta base, o governo brasileiro sabia o que iria acontecer. E que medidas tomou para preservar os interesses brasileiros?

Nada. Agora, todos estão correndo para mudar uma situação. O Brasil, que já não é bem visto na América Latina, que nos considera – com razão – imperialistas, só pode apelar para a pressão.

Qualquer que seja o resultado das ações do Governo, o Brasil perde.

De um lado, politicamente, já que a iniciativa boliviana mostra que o Brasil não tem influência sobre os latinos.

De outro, economicamente. A Petrobás, que pertence a todos, perde seus investimentos. A economia perde com um possível aumento do gás e o país, como um todo, por não controlar um bem que lhe é muito necessário, o gás natural.

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