CAMINHANDO PARA O ARTIFICIAL

29/jun/2009 · 13 conversas

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Todo mecanismo, por melhor que seja construído, sofre desgaste. E não é diferente com o corpo humano. À medida que crescemos e envelhecemos, nosso corpo vai mudando, acompanhando o desenvolvido da própria idade, o que cria, para muitos, uma incerteza, uma sensação de perda que buscam consertar com cirurgia estética.

Aliás, a estética – inclusive o seu lado cirúrgico – tornou-se a maior indústria da medicina. Já vi casos em que médicos trocaram de especialiadade, deixando de ser cardiologista para ser cirurgião plástico sob o argumento que este tipo de procedimento é o que dá dinheiro. E já vi, também, pessoas – sobretudo, mas não somente  mulheres – engrandecendo um ou outro profissional que “cuidou” dela e corrigiu os “defeitos” que a natureza lhe impôs.

A chamada cirurgia estética ou cosmética é hoje uma realidade. Basta ver o movimento em consultórios de especialistas e, mesmo, em clínicas voltadas para este tipo de atendimento. E na busca da beleza, do corpo perfeito, de consertar ou fixar o que a natureza mudou, as pessoas correm o risco inerente a qualquer cirurgia. Quando ela é feita por cirurgiões renomados e em hospitaias de ponta, estes riscos são menores. Mas muitas vezes elas ocorrem em pequenas clínicas, mal aparelhadas e que colocam um risco adicional em uma operação.

Em princípio, sou contra cirurgia estética. Acho que isso artificializa quem a faz. Vejo isso claramente e acho que, somente olhando para alguém, sobretudo se tiver uma determinada idade, dá pra ver o efeito das cirurgias estéticas, começando por um rosto esticado, sem nenhuma ruga. Ora, ninguém pode se livrar, de modo natural, dos efeitos da natureza e quando corrige esta ação, o resultado está, literalmente, na cara.

Não sei como é em outros países, mas em relação ao Brasil, o que tenho lido é que vem gente do mundo inteiro para “se reparar” aqui. Com isso, a cirurgia estética cresceu e virou, mesmo, uma indústria, inclusive oferecendo financiamentos de longo prazo para quem quer a ela se submeter. Criou-se o mito da eterna juventude, conseguida mediante o bisturi de um cirurgião.

E consolidou-se a idéia de que podemos repor, de modo artificial, o que a natureza ou não nos deu ou nos retirou, como é o caso dos seios e de outras partes destacadas do corpo. Se retira de um lado e coloca do outro, o resultado é que estamos, mais e mais, caminhando para o artificial, substituindo o que a natureza nos deu por silicone, espichamento de pele, correção de nariz e orelhas, lipoaspiração, etc.

O que estamos presenciando é a artificialização das pessoas. E isso está ocorrendo em todos os segmentos – jovens, adultos, homens e mulheres. Ficou muito fácil – embora não seja nada barato – corrigir o que consideramos pequenas imperfeições mediante o uso do bisturi. E em alguns casos, a cirurgia estética substitui o esforço, como é o caso do emagrecimento mediante lipoaspiração. Fazendo-a, nos livramos do sacrifício dos exercícios físicos ou de uma alimentação mais balanceada.

Olho esta questão de modo crítico. E pessoalmente, sou contra este tipo de procedimento. Não o adotaria para mim, nem recomendaria a ninguém. Mas reconheço que é difícil, sobretudo no lado feminino, remar contra a maré. E é por isso que criamos uma “indústria” que promete beleza eterna. Será? O que você acha?

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{ 13 conversas }

Carla (115 comments.) 29/jun/2009 às 11:34 am

Apesar do tempo ser impiedoso, principalmente com o corpo de nós, mulheres, eu me sinto bem no auge dos meus 44 anos…
Bjo e otima semana!
Carla´s last blog ..Outros tempos….

grace olsson (32 comments.) 29/jun/2009 às 2:15 pm

Lino, aqui na Suécia, eu nao vejo esse artificialismo todo n, nao. Nas pessoas normais. Mas no glamour, meio televisivo, a coisa beira exagero, tbm.
O que eu vejo é que pessoas que já passaram dos 50 e sao fotografadas por mim,é elas dizerem: GRACE, POR FAVOR, SE TIVER QUE USAR ALGUM RETOQUE NA MINHA FOTO, NAO DESGASTE A MINHA FACE, TIRE APENAS ALGUMAS MARQUINHAS. Quero ficar como eu sou.
Bjs e dias felizes
grace olsson´s last blog ..Carnaval na Suécia

Jens (83 comments.) 29/jun/2009 às 2:21 pm

Oi Lino.
É fantástico, o homem de plástico.
Pessoalmente estou estou fora. Além da natureza ter sido e generosa (sou um “pão” segundo minhas admiradoras, a começar pela minha mãe), gosto das rugas e dos cabelos prateados que a vida me deu.

Um abraço e uma boa semana.
Jens´s last blog ..Hehehe…

DO (389 comments.) 29/jun/2009 às 3:53 pm

O brasil e’ referencia neste quesito,LINO.Dizem que os melhores profissionais realmente estão por aqui. Eu tbem não me submeteria a nada disto. Além do risco de uma cirurgia desnecessária,minha vaidade não chega a tanto. Mas respeito quem faça tudo por uma correção aqui,outra ali.

Otima semana!

Fernanda (58 comments.) 29/jun/2009 às 6:24 pm

se a pessoa não pega pesado, cacai, a cirurgia dá é felicidade instantânea e não só “beleza eterna”. acho que é válido quando tem mais a ver com auto-estima do que com auto-imagem!
Fernanda´s last blog ..O CASUAL DE CIRNANSCK

Rosa (64 comments.) 29/jun/2009 às 6:41 pm

Lino, eu não faria cirurgia plástica, mas não condeno quem faça, só que por um cirurgião reconhecidamente bom. Tenho visto pessoas que ficam irreconhecíveis e, muitas vezes, pior do que eram.
Bjim.
Rosa´s last blog ..ẊØΠ

Fábio Max (166 comments.) 29/jun/2009 às 7:13 pm

Toda pessoa que faz cirurgias estéticas em demasia, acaba parecendo mais velha do que é, a partir de certo momento na vida. Cirurgia estética tem limitação nos tecidos humanos, se eles envelhecem, não há bisturi que resolva!
Fábio Max´s last blog ..NÃO VOU PERDER MEU TEMPO

Marcelo (138 comments.) 29/jun/2009 às 8:59 pm

Sei lá…acho legal sim…mas é preciso um determinado senso crítico…melhorar na idade que se tem é bom…mas parecer o que não é …é ridiculo!

abs

Claudinha (113 comments.) 30/jun/2009 às 7:40 pm

Oi Lino!
Bem, eu acho que para tudo deve prevalescer o senso crítico, a noção do ridículo, o desconfiômetro. Existem pessoas que necessitam, até por motivos de convivência, mas daí a sair retocando tudo? Eu sou contra os exageros que criaram verdadeiros monstros… Vale mesmo o bom senso…
Beijo!
Claudinha´s last blog ..Dos Sonhos Antigos Embalados Na Canção

KAIO BORGES (1 comments.) 01/jul/2009 às 12:55 am

Olá Lino, tem homens e mulheres, que mesmo com tudo a disposição, com dinheiro e com tais recursos procurados, continuarão a ser as mesmas pessoas de antes, porque não se muda o interior. Por outro lado, é como diz meu amigo que pagou 14.000 para turbinar a filha e mais 9.000 para ajeitar a esposa: O dinheiro serve pra que se não para gastar?

Nilza (20 comments.) 01/jul/2009 às 10:00 am

Bela matéria e muito pertinente Lino.
Eu tbm concordo que daqui a pouco não saberemos onde começa e termina o rosto do ser humano. Qual é sua verdadeira face, pois entendo que se uma pessoa muda tanto seu rosto e corpo é pq mudou tbm a alma. Tudo tem seu limite.

Beijos
Nilza´s last blog ..

Adao Braga & Kaio Borges (58 comments.) 02/jul/2009 às 5:52 pm

Há quem diga que é baixa auto-estima querer mudar. Mas, há quem diga, que não existe ninguém feio, o que existe é pouco dinheiro, e para tanto colocam lado a lado pessoas quando pobres e quando ricas como ficaram diferentes. Mas, é assunto da psiquiatria certas obcessões por aparência e baixo auto-estima.

Cidão (226 comments.) 05/jul/2009 às 7:59 pm

Lino, prefiro mulher sempre ao natural. Mulher siliconizada é tão artificial… :o )
Existem operações que são necessárias por alguma deformidade, mas quando uma pessoa é saudável e só faz isso para se aparecer, é o fim da picada.

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