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Uma das coisas que os homens mais buscaram, ao longo de sua pequena trajetória pela Terra, foi conhecer o futuro, ver o que acontecerá amanhã e, com isso, pautar o seu comportamento não na incerteza, mas na segurança de que estará fazendo o que é necessário para que o futuro se confirme. Ou, no caso de a projeção não lhe agradar, agir no sentido de mudá-la, tornando o futuro diferente. Por causa desse desejo é que vieram os oráculos, videntes, bolas de cristal e tudo o mais.

Esta questão está ainda mais viva hoje. Veja-se o exemplo do clima. O que cientistas e ambientalistas mais querem saber é como será o clima amanhã. E é para antecipar o futuro que estão estudando as mudanças, o efeito estufa e muito mais. Neste caso, o objetivo é impedir que o futuro seja problemático. Mas o olhar à frente, está lá. Se em muitos casos é impossível prever o futuro, em outros estamos bem mais perto disso. E um deles é a genética.

Com o mapeamento dos genes, o estudo do DNA e todas as consequências que estes estudos nos trouxeram, é possível antever o futuro de uma pessoa, projetando-a e dizendo que chances ela terá de contrair uma doença. A genética sabe, pelo menos em parte, como os genes trabalham, o que fazem e quais as consequências desta ação. A previsão aponta um cenário futuro, provável, mas não pode garantir que ele aconteça. Aponta uma tendência, com base no mapa genético de cada um, mas verdadeiramente não lhe traça o futuro, embora possa lhe oferecer insights que permitam cuidar-se e ter um futuro melhor.

A genética, como diria um ex-presidente do Corínthias, Vicente Matheus, pode ser uma “faca de dois legumes”. Um lado do gume aponta para o futuro, traçando tendências e permitindo que o indivíduo, conhecendo o seu perfil genético, aja para evitar os futuros problemas. No outro gume, oferece no presente uma ferramente de discriminação, de eugenia, que pode separar, como em O Admirável Mundo Novo, as pessoas em castas, baseando-as no seu perfil genético. Teríamos, neste caso, as ferramentas que Hitler e seus sequazes não tiveram na louca tentativa de criar uma raça pura, bastando termos um novo louco.

Como já disse aqui antes, a tecnologia em si não é boa nem má. Boa ou má é a aplicação que dela fazem. Este é o caso da genética, do mapeamento dos genes e do estudo do DNA. A ciência está nos oferecendo uma excelente ferramenta para que nos tornemos mais saudáveis, melhores. Resta torcer para que o seu outro lado, o da discriminação, da eugenia, da classificação de pessoas, não venha a ocorrer. Na verdade, eu sou otimista.

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